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INTRODUÇÃO

 

1. Sobre a Região Norte de Santa Catarina - Vale do Itapocu

O Vale do Itapocu, situado no norte do Estado de Santa Catarina, abrange os municípios de Corupá, Jaraguá do Sul, Schroeder, Guaramirim, Massaranduba, São João do Itaperiú e Barra Velha.

As atividades econômicas exercidas na região englobam a pecuária; a agricultura (os maiores produtores de banana e arroz de Santa Catarina); o comércio; e a indústria, sobretudo, malharias, confecções, fábricas de chapéus e de gêneros alimentícios, motores elétricos, geradores, máquinas, componentes eletroeletrônicos e de informática.

Apesar da intensidade destas atividades, a região ainda apresenta uma boa área de remanescentes da Mata Atlântica. Estima-se que restam atualmente em torno de 5% da cobertura original desse ecossistema em todo o Brasil. Santa Catarina é o terceiro estado do país com maior área de Mata Atlântica, com 15% de suas florestas. No Vale do Itapocu a cobertura vegetal é razoável, apresentando, em média, cerca de 34% de vegetação primária e secundária. No entanto, estas estimativas por imagens de satélite são duvidosas, há indícios de que podem esta subestimadas, e estes percentuais podem ser bem mais baixo A formação vegetal que está sendo mais devastada nessa região é a restinga.

A maior parte do relevo (62%) oscila entre montanhoso e forte-ondulado. Em um terço da área, aproximadamente, o relevo se apresenta plano (várzea). O clima vai de mesotérmico úmido a temperado e as médias anuais de temperatura oscilam de 15oC a 25oC em todo o Vale.

Existem problemas em diversas sub-bacias da rede hidrográfica, no que se refere à água disponível. A sub-bacia do rio Itapocu, próximo à cidade de Jaraguá do Sul, por exemplo, apresenta uma situação considerada preocupante ao se comparar as vazões de estiagens com os diversos usos da área, apesar da regularidade do regime pluviométrico. No entanto, a situação pode ser considerada crítica na sub-bacia do rio Piraí, que abastece a cidade de Joinville, e na do rio Putanga, que fornece água para a extensa lavoura de arroz-irrigado na região de Massaranduba. Quanto à qualidade, deve-se ressaltar que esta região, juntamente com a bacia do rio Cubatão, é considerada a segunda área crítica estadual em termos de degradação ambiental. No médio curso do rio Itapocu, a poluição por agrotóxico é considerável devido à expressiva lavoura de arroz-irrigado aí existente. Outros centros urbano-industriais localizados na área contribuem para a degradação dos recursos hídricos regionais.

Mesmo com todos esses problemas, a Mata Atlântica do Vale do Itapocu abriga algumas espécies de animais ameaçados de extinção ou já extintos em outras áreas de Mata Atlântica, como por exemplo, a anta (Tapirus terrestris), a lontra, o tamanduá-mirim e algumas espécies de felinos. Contudo, esses animais também estão começando a rarear na região.

Além dos problemas acima listados, a região sofre com a degradação e alteração do ambiente original proveniente do corte seletivo de algumas espécies vegetais, como o palmito, as canelas e outras espécies de árvores da família das mirtáceas (guamirins, araçá, guabiroba, entre outros), muito cobiçadas pela madeira; Outros fatores que também contribuem para o rareamento das espécies são a caça predatória, a captura e tráfico de animais, a fragmentação das áreas e barreiras entre corredores ecológicos. Vale lembrar que os animais silvestres, quando em cativeiro, não conseguem se adaptar, morrendo em seguida. Isto se deve, principalmente, por eles dependem de uma dieta alimentar muito complexa, obtida em grandes extensões de florestas preservadas.

Um exemplo de barreira entre dois corredores ecológicos é a BR 280. Dezenas de animais são mortos todos os meses na rodovia, vítimas de atropelamento. O ponto crítico desta se localiza próximo à ponte do rio Piraí. Ao tentarem passar de uma área à outra os animais são atropelados, principalmente no período noturno. As luzes dos carros que, em geral, percorrem a rodovia em alta velocidade, ofuscam a visão dos animais que ficam inertes e acabam sendo atropelados. O deslocamento por entre diferentes áreas é de suma importância para os mamíferos, uma vez que o isolamento das espécies em pequenas áreas não permite trocas genéticas entre indivíduos não aparentados o que aumenta o índice de doenças e óbitos da espécie até a sua extinção.

 

2. Generalidades Sobre os Mamíferos

A classe dos mamíferos abrange animais terrestres, aquáticos e aéreos. As características marcantes deste grupo são:

  • Glândulas mamárias nas fêmeas para o fornecimento de leite para as crias (característica que nomeia o grupo);
  • Corpo geralmente revestido por pêlos;
  • Endotermia, possuem mecanismos internos para o controle da temperatura corpórea.
  • Desenvolvimento do filhote dentro do útero;
  • Presença de placenta, órgão através do qual o filhote recebe os nutrientes da mãe;
  • Maioria dos filhotes requer cuidados parentais por muito tempo;
  • Presença de um músculo respiratório, chamado diafragma, que determina os movimentos dos pulmões durante a respiração;
  • Audição, olfato e visão normalmente bem desenvolvidos;

Existem, na atualidade, mais de 5.000 espécies de mamíferos distribuídos pelo mundo, sendo que destas, cerca de 169 foram registradas no Estado de Santa Catarina. A maioria destas espécies (excetuando os mamíferos marinhos, é claro) é encontrada na Mata Atlântica do Vale do Itapocú. Nesta cartilha daremos uma breve descrição das 30 mais representativas e/ou raras.

 

ALIMENTAÇÃO

A dieta alimentar dos mamíferos é muito variada, comem tanto animais como vegetais. Em geral, os de hábitos herbívoros necessitam de um hábitat com área bem menor que os carnívoros – uma onça necessita de uma área de até 5.000 hectares para caçar suas presas. Da mesma forma, animais menores tendem a apresentar uma área de vida mais restrita. Também podemos notificar a presença de alguns mamíferos através de seus vestígios alimentares. Os quatis atacam em grupos pequenos as bromeliáceas do solo e com grande habilidade arrancam as folhas espinhosas para ingerir sua base, tenra e carnosa, deixando estas folhas espalhadas por todo o solo. Como os veados carecem de incisivos, os brotos ou ramos atacados por eles parecem desfiados, rasgados ou arrancados. No caso dos roedores, aparece um corte liso e quase perfeito como se tivesse sido feito por uma faca, em resposta aos afiados incisivos.

Os mamíferos caracterizam-se por serem bons dispersores e, até mesmo, polinizadores. A dispersão de sementes é uma relação mútua na qual tanto as plantas quanto os animais obtêm grande benefício. Esse processo é fundamental para que a planta se espalhe para outros lugares e para o distanciamento das sementes dos arredores da planta-mãe, onde normalmente ocorre intensa mortalidade dessas sementes ou das plantas germinadas devido a predação e competição. Como recompensa, os animais encontram nos frutos e nas sementes uma rica fonte de água, minerais, vitaminas e carboidratos. As antas, os bugios, as cutias, os morcegos entre outros mamíferos, são exemplos de excelentes dispersores. A exemplo da dispersão, a polinização é outra interação entre a fauna silvestre e as plantas de grande importância ecológica. Os morcegos também são ótimos polinizadores do embiruçu, baguaçu, bromélias, dentre outras plantas.

Animais como os tamanduás, os tatus, os macacos, os cachorros-do-mato, a ariranha, os gatos-do-mato, o puma, a onça-pintada, a anta, os veados e roedores, encontrados na Mata Atlântica são ótimos indicadores ambientais. A presença dos mesmos nos ecossistemas, geralmente indica sua boa qualidade.

 

PEGADAS DOS MAMÍFEROS

Geralmente, os mamíferos silvestres são ativos durante as horas crepusculares e noturnas. Neste período saem de seus esconderijos como cavernas, tocas, buracos das árvores, em busca de alimento e para reproduzir-se. Difíceis de serem visualizados diretamente, por serem tímidos e perturbáveis ao menor ruído, nos deixam vestígios como pegadas, excrementos, sementes roídas, trilhas, seus abrigos e outros sinais que indicam sua presença. A compreensão destes sinais pode mostrar aspectos de seus hábitos, isto é, preferência alimentar, ritmo das atividades, o tipo de marcha – por exemplo, quanto mais ativa for a marcha, mais abrirá os dedos, aumentando o tamanho da pegada.

Muitas espécies de mamíferos se movimentam através de áreas demarcadas retornando periodicamente a determinados locais, alguns seguem rotas fáceis e bem estabelecidas. Quando se procura suas pegadas é necessário concentrar os esforços ao longo das margens de rios, riachos e lagoas e estradas abandonadas, nos pontos com areia úmida ou lama. As pegadas devem ser procuradas em lugares sem vegetação cobrindo o solo e preferencialmente logo após de um período de chuvas.

Em quase todos os mamíferos, exceto os roedores, as impressões dos pés anteriores são mais largas, profundas e claras que dos pés posteriores. Cada pisada mostra a direção na qual se deslocou o animal e, na maioria dos casos, isto não é difícil de determinar.

Os animais com casco têm uma pegada muito reconhecível. São animais que têm quatro dedos, o primeiro falta, mas só se apóiam no solo com as pontas do terceiro e do quarto. Os segundo e quinto dedos, ou cascos secundários se deslocaram para cima e, em geral, não tocam no solo, a menos que o animal se afunde no barro ou areia.

 

 
Pegada do gato-do-mato-maracajá
 
Pegada do veado
 
Pegada de tatu
 
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