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INFORMAÇÕES:

MÃO-PELADA 
Procyon cancrivorus

Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Procyonidae

Guaxinim é o nome mais utilizado para o Raccoon norte-americano, espécie do mesmo gênero, Procyon lotor

Foto: Germano Woehl Jr.
Local: RPPN Santuário Rã-bugio – Guaramirim, Santa Catarina.

Ameaças
Perda do hábitat devido aos desmatamentos e poluição dos banhados que torna escassa sua comida. 

Descrição
Sua principal característica é a existência de pêlos pretos ao redor dos olhos formando uma máscara parecida com a do Zorro. Sua cauda peluda mede de 34 a 40 centímetros e orna-se com anéis pretos, entre zonas amareladas. O focinho é pontudo, no entanto, bem menos do que o do quati. O nome de “mão-pelada” vem do fato de seus membros dianteiros – e traseiros – possuírem poucos pêlos e bem curtos. 

Alimentação
É onívoro (isto é, come de tudo). Alimenta-se de sapos, rãs, pererecas e várias espécies de animais aquáticos, especialmente caranguejos, moluscos e peixes; girinos e também lagartas, besouro, cigarras, minhocas, aranhas, dentre outros animais invertebrados.  Ao devorar os sapos, com muita habilidade ele descarta a pele e as glândulas que contém uma substância leitosa que é, justamente, a defesa do sapo contra predadores (esta substância provoca irritação na boca dos predadores). Possui também uma incrível habilidade para capturar girinos nos riachos. A maior parte de sua dieta é constituída por frutas, dentre as quais os de embaúba, coquinho-jerivá, palmito, araticum e guabiroba. No caso dos frutos do coqueiro-jerivá e palmito, ele mastiga estes frutos até remover a polpa e, depois, cospe o coquinho. Gosta muito de bananas, conforme mostra um dos vídeos abaixo e fotos da galeria.

Repreodução
A maturidade sexual se dá entre 2 e 3 anos de idade. A fêmea possui 3 pares de mamas, conforme mostra esta foto. Nascem de 2 a 4 filhotes, que recebem a atenção da mãe até conseguirem viver sozinhos. A mãe muda de toca carregando na boca os filhotes menos desenvolvidos que não conseguem vencer os obstáculos. Assista aos vídeos abaixo mostrando isso.

Observações
Mamífero de hábitos noturnos, período em que sai a procura de alimentos. Vive nas matas, especialmente nas vizinhanças de rios, lagoas e banhados. Geralmente é terrestre, mas sobe em árvores, se necessário. Caminha com facilidade em áreas de banhado, pois quando anda, deixa toda a mão e pé apoiados no chão, abrindo bem os dedos, aumentando assim, a superfície de contato com o solo, não permitindo-o afundar. Nestes locais é bastante fácil reconhecer suas pegadas. Não constrói seu próprio abrigo, ficando durante o dia escondido em ocos ou entre as raízes das árvores, tocas e fendas em rochas. Não é muito dócil, sendo bem mais arisco que o quati, que pertence à mesma família. Membros desta espécie existem na América do Sul - Andes, Chile, Bolívia, Peru, Equador e em todo Brasil - embora já em via de desaparecer em muitos lugares.

Duas famílias de mão-pelada compartilham a mesma toca
Observamos que um filhote (fêmea) sobrevivente do ataque de cães permaneceu com a mãe, que ficou cega de um olho quando sofreu o ataque dos cães até a época de reprodução no ano seguinte, quando a mãe teve outros três filhotes. Este jovem, filho da ninhada do ano anterior, permaneceu na família, dividindo a mesma toca, que é um bueiro existente na RPPN Santuário Rã-bugio, em Guaramirim SC. No ano seguinte, esta fêmea jovem teve três filhotes e passou a usar o mesmo bueiro como toca. Os três filhotes que já completado 2 anos foram embora, e a mãe cega de um olho deixou de usar o bueiro durante um certo tempo, mas vinha todas as noites se alimentar no comedouro das aves, onde ofertamos bananas. Ela encontrava no comedouro com a filha com seus três filhotes ("netos") e se alimenta com esta nova família sem qualquer reação (esta espécie não tolera intrusos em seu território). Após 3 meses, esta fêmea cega apareceu com dois filhotes e passou a usar o bueiro junto com a filha e nos netos (apenas dois porque um morreu por atropelamento ao cruzar a estrada). Portanto, duas familias de mão pelada estão dividindo a mesma toca.

VÍDEOS
Filhote de mão-pelada vítima da devastação. Quando filhote, apareceu faminto numa residência de um loteamento recém implantado que devastou uma imensa área preservada de Mata Atlântica, em Guaramirim, SC. Foi amamentado, e devolvido para a natureza 7 meses mais tarde (quando ele não retornou mais para o entorno de nossa residência, no Santuário Rã-bugio). Assistam nestes vídeos alguns dos momentos que registramos durante estes 7 meses.