BICO DE LACRE Estrilda astrild (Linnaeus, 1758)
Nome em Inglês: Common Waxbill
Outros nomes populares: mandarim (Pernambuco), biquinho (Rio de Janeiro), beijo-de-moça (Minas Gerais), bico-de-lacre-comum, bico-de-lata (Santa Catarina, Alagoas e sul do Piauí), bombeirinho, beijinho-de-moça (Espírito Santo), bico-de-fogo (Bahia) e bico-de-lápis (Paraíba), bico-de-lycra, corruptela.
Classe: Aves Ordem: Passeriformes Subordem: Passeri Parvordem: Passerida Família: Estrildidae
Foto: Germano Woehl Jr Local: RPPN Santuário Rã-bugio - Guaramirim SC Data: 05.01.2026
Esta espécie não é nativa do Brasil. É uma espécie exótica, proveniente da região sul da África e introduzida no Brasil através de navios negreiros no reinado de D. Pedro I. Reintroduzida no interior de São Paulo na segunda metade do século XIX, deve ter sido levada para os outros estados pelo homem, pois, devido à sua capacidade de voo reduzida, sua distribuição é menos espontânea que a do pardal.
Características: Mede cerca de 10-13 centímetros de comprimento e pesa 7-10 gramas. Ambos os sexos são parecidos, possuindo crisso e coberteiras inferiores da cauda negros no macho e pardo escuros nas fêmeas. Jovens imaturos possuem o bico negro além de uma pequena comissura labial branco reluzente. Quase não possuem a ondulação e o vermelho intenso da plumagem do adulto. O distintivo morfológico mais proeminente nos filhotes são as protuberâncias branco-resplandescentes na base da maxila e da mandíbula, que refletem a luz, aparecendo como fosforescentes no interior escuro do ninho e orientando os pais para a alimentação. Essas protuberâncias secam depois que os filhotes deixam o ninho, mas permanecem no desenho da boca.
Subespécies Possui quinze subespécies reconhecidas:
Estrilda astrild astrild (Linnaeus, 1758) - ocorre no oeste da África do Sul e no sudeste de Botswana. Esta espécie também foi introduzida na Ilha de Trinidad e no Brasil; Estrilda astrild jagoensis (Alexander, 1898) - ocorre na costa oeste de Angola na região de Benguela e Moçamedes; Estrilda astrild occidentalis (Jardine, 1852) - ocorre em Gana e no Zaire; Estrilda astrild kempi (Bates, 1930) - ocorre de Serra Leoa até o sul de Guiné e da Libéria; Estrilda astrild rubriventris (Viellot, 1817) - ocorre na costa do Gabão e do sudoeste do Congo até o noroeste de Angola; Estrilda astrild angolensis (Reichenow, 1902) - ocorre no planalto do oeste de Angola; Estrilda astrild niediecki (Reichenow, 1916) - ocorre de Angola até o sudoeste de Zâmbia, no nordeste da Namíbia, no norte de Botswana e no oeste de Zimbabwe; Estrilda astrild damarensis (Reichenow, 1902) - ocorre na Namíbia e no noroeste da província do Cabo na África do Sul; Estrilda astrild peasei (Shelley, 1903) - ocorre na Etiópia; Estrilda astrild minor (Cabanis, 1878) - ocorre do sul da Somália até o leste do Quênia, no nordeste da Tanzania, em Zanzibar e na ilha de Mafia; Estrilda astrild massaica (Neumann, 1907) - ocorre no Quênia do vale do Rift até o norte da Tanzânia; Estrilda astrild cavendishi (Sharpe, 1900) - ocorre na Tanzânia, no sudeste da República Democrática do Congo, em Zâmbia, do Malawi até o Zimbabwe, e em Moçambique; Estrilda astrild macmillani (Ogilvie-Grant, 1907) - ocorre no centro e sul do Sudão; Estrilda astrild adesma (Reichenow, 1916) - ocorre de Uganda até o leste da República Democrática do Congo, Ruanda, Burundi, no oeste do Quênia e no noroeste da Tanzânia; Estrilda astrild tenebridorsa (Clancey, 1957) - ocorre no leste da África do Sul, em Lesoto e em Swazilandia.
Alimentação Alimenta-se de sementes, principalmente as de gramíneas africanas, como capim-colonião, capim-elefante e capim-gordura, introduzidos em nosso país para a formação de pastagens. Eventualmente, pode capturar pequenos insetos.
Reprodução Faz ninho em arbustos fechados, de forma esférica ou oval, com paredes grossas feitas de capim, penas de galinha e algodão, acessível por um tubo estreito. Põe 3 ovos pequenos de cor branca, os quais são chocados pelo casal por cerca de 13 dias.
Hábitos É comum em campos e terrenos baldios nas cidades. Em Guaramirim, SC, na RPPN Santuáro Rã-bugio, dois indivíduos (um casal provavelmente) frequentaram a borda da mata densa (Mata Atlântica), provavelmente para fazer ninho em um conjunto de bromélias de um palmiteiro. Originário da África, o bico-de-lacre foi trazido para o Brasil em navios negreiros para servir como pássaro de estimação, durante o reinado de D. Pedro I. Tendo escapado das gaiolas, inicialmente no Rio de Janeiro, espalhou-se por diversas regiões brasileiras. Vive em bandos de cerca de 6 indivíduos. Comumente, pode ser encontrado voando em bandos em áreas urbanas de passagem, indo para locais onde há terrenos baldios na cidade. Quando está perto de aves de porte maior, como o bem-te-vi ou a rolinha-roxa, não costuma se assustar. Em dias de sol, se reúnem em bandos de 20 a 40 indivíduos para tomar banho em poças de água que ficam acumuladas em lajes. Aproveitam fontes artificiais de água. Vive perto de plantas aquáticas ou na beira de rios.
Distribuição Geográfica Espécie com ocorrência em praticamente todo o território brasileiro, com exceção ainda para os estados de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins. |